sexta-feira, 17 de maio de 2013

LUA

Eis que surge, acordada precocemente, após sua espera , calma para reinar absoluta no escurecer das horas, a Lua. 
 Soberana, estável, convicta e impassível às mudanças dos comportamentos alheios frente ao seu despudor. 
Surge, sendo ela mesma e sempre outra. 
Fechada em si, enquanto transborda marés que não a alcançam. 
Absurda em sua fortaleza análoga à personificação do “para sempre”, como se jamais fosse esvaziar-se. Estática, falsamente estática, porque poucos se permitem ou podem mirá-la em seus leves movimentos, sua dança de suaves encantos.
 Impermeável à histeria dos loucos, à inquietação dos lobos, ao uivo dos amantes febris. 
Surge sedutora e permanece absorta em sua própria beleza.
 Narcisa, com sua única e intermitente curva, se espalha sobre as águas, submete à decadência das algas e reina, paradoxalmente, fria, incandescente, desinteressada, ardente.

(Marla de Queiroz)

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Somos donos de nossos atos , mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo. (Mario Quintana)

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