quinta-feira, 10 de abril de 2014

Minhas impressões sobre ageplay

Comentarei sobre uma prática sobre a qual tenho conhecimento parcial , que me atrai a atenção e que , acima de tudo , respeito , tanto essa quanto à todas as outras práticas .
A prática , ainda pouco difundida no Brasil , vem ganhando bastante visibilidade . Como  bons apreciadores do estilo de vida  americano que somos , começamos a nos identificar com ela .
Mas como esse jogo nos chega , o que há nele para atrair o interesse de tantos ?
Sabemos que esse é um jogo entre adultos , onde um exerce a função de pai e o outro de filho , podendo ser , também entre professor e aluno , médico e paciente , entre outras combinações .
O que ainda não sabemos é se trata-se de mais um dos modismo , que não se mantêm por si só , se estaria vindo para ficar e se chegará a se tornar um estilo de vida .
De certo é que , como fetiche , a prática tem e sempre teve seus adeptos .
Ultimamente , temos visto muitos bebês Net à fora , cada um mais meigo que o outro...acho fofo ! Porém , seria interessante vê-la , também além do fetiche .
Na D/s , independente do que o casal pratique , a hierarquia e disciplina tão presentes e apreciadas na relação , juntamente com o respeito e o carinho da submissa por seu Senhor , reproduzem , de certa forma , uma relação entre pai e filha  ,  logicamente que com suas peculiaridades .
Entretanto , acredito numa grande resistência da parte Dominante em se envolver com a prática , e da parte submissa em se aprofundar nela .
 Por enquanto , o que se vê da prática são muitas fotos , alguns textos e raríssimas vivências . Ela ainda se resume , em muito , apenas à denominação de babygirl e ao visual infantil das fotos .
Isso não quer dizer que não tenhamos praticantes reais de ageplay , mas sim , que não seria apenas no fazer poses para fotos com o dedinho na boca , vestindo-se de menina , com seus  laçarotes , chupetas , bichos de pelúcia , com esses e outros modos e acessórios infantis que se alcançaria o estado profundo de entrega que a prática , quando vivenciada dentro de uma D/s , proporciona  .
A dinâmica do jogo pode ser usada em auxílio à entrega , tornando-a um pouco mais confortável .
Talvez , grande parte da procura pela prática se deva à ideia de ser mais fácil , mas que não se enganem com esse 'confortável' , porque isso é algo que não existe na submissão .
Assim como alguns podem imaginar que submeter-se é ter o carinho , a proteção e o uso do Dono , quando e como desejar , pode-se imaginar que ageplay se resume a ser a filhinha do Papai e ganhar colinho quando sentir tal necessidade . Nesse , caso , estaríamos falando do fetiche isoladamente , e não da prática enquanto parte integrante de uma relação de Dominação/submissão .
O age play , da mesma forma que a submissão , quando vivenciada com entrega , vai muito além do que o sentido da visão pode alcançar e muito além do prazer momentâneo .
Assim como a escrava não precisa andar acorrentada para ser escrava , a submissa não precisa andar ajoelhada para ser submissa , nem a cadela precisa andar de coleira e guia para sê-la , e muito menos a puta precisa de caracterização para ser a puta de seu Senhor , a babygirl também independe de sua roupinha para existir dentro da submissa . Basta-lhes o desejo e a entrega para que tudo aconteça intensa e naturalmente .
Cada um age e se caracteriza como deseja , tudo é permito . O prazer de caracterizar-se e agir de acordo com a fantasia desejada é semelhante , tanto para quem a vivencia quanto para quem ainda sonha em realizá-la .
Trata-se apenas de não haver como mergulhar no raso , pode-se apenas molhar os pés ou bater de cabeça . Trata-se , também de que D/s é uma estrada nada encantada , que não leva a um parque de diversões e que precisa ser trilhada a dois .
Visual e modo agir ajudam a entrar no clima da fantasia , porém , sem entrega , tudo não passará de uma gostosa brincadeira , e isso só já é muito bom , também .
Ainda assim , aquilo que não parte de dentro para fora , tem pouca ou nenhuma razão de ser !
Daddy , Papai , Paizinho...um sonho de consumo ou nem tanto assim ?!
Haveria , nesse nosso BDSM já todo desencontrado e cheio de superficialidades , Dominantes realmente dispostos a serem Doms Papais de suas meninas ? Dispostos a cuidar , orientar e disciplinar , dedicando o tempo e a energia necessária às suas meninas , isso além da carga que já se tem como Dono , acumulando , também a carga de Pai ?
 E quanto às meninas , estariam elas realmente dispostas à vivenciar a prática com profundidade de entrega ? Mesmo sabendo que ela não se resume apenas a fazer beicinho e ganhar carinho , e sabendo que crianças são totalmente dependentes de seus pais , ainda assim , estariam dispostas a entregar o controle de suas necessidades mais básicas nas mãos de seus Paizinhos ? 
Penso que em raríssimos casos , sim , e na maioria deles , não !
Quando pensamos numa prática , a tendência é focar apenas no lado fofo dela , na parte que nos atrai ,e não nela como um todo . É natural que seja assim , ninguém começa com tudo de uma só vez , é aos poucos que o interesse se instala , em alguns casos , ele ganha maiores proporções e em outros , não !
Por último , mas , não menos importante :
É sempre bom lembrar que agelay é um jogo para adultos , ele não envolve crianças e , portanto , nada tem a ver com pedofilia !
Em se tratando de BDSM tudo deve estar pautado no consensual , portanto , crianças e pessoas incapazes de responder por si ficam de fora de toda e qualquer prática .
É difícil para algumas pessoas entenderem que um adulto vestido de criança não é uma criança .
Pedofilia é crime e eu repudio todo e qualquer ato criminoso ou abusivo !
luara_propriedade de DOM JH .
(Texto publicado , primeiramente em : http://escravasesubmissas.blogspot.com.br/p/cultura.html)

2 comentários:

  1. Boa tarde !

    Concordo com a sub luara ...

    ... sou praticante de AGEPLAY à vários anos e, ao contrário do BDSM mais tradiciona(recebeu uma leva de novos adeptos após o 50 Tons de Cinza) o AGEPLAY não tem muitos interessados e, as(os) poucas (os) que se interessam, tem grande dificuldade de se entregar ao AGEPLAY e até mesmo de definir qual a idade que terão no AGEPLAY (ora são BABYs, ora TEENs, passando por KIDs e até mesmo PETPLAY) !?!

    Isto realça ainda mais a tarefa do DADDY como FORMADOR ...

    ... é uma tarefa difícil mas, sem dúvida nenhuma, muitíssimo gratificante !

    Coloco-me à disposição de quem quiser conversar e conhecer mais sobre o AGEPLAY ...

    MESTRE OSHERPA
    osherpa2003@hotmail.com

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  2. Mestre Osherpa ...
    Sim , há essas nuances , que podem dificultar ou tornar o jogo ainda mais interessante . E isso depende apenas dos jogadores .
    Grata pela visita e comentário , que ele venha a acrescentar entendimento aos que desejam compreender melhor a prática .
    Minhas saudações ,
    luah negra_DOM JH .

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Somos donos de nossos atos , mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo. (Mario Quintana)

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