terça-feira, 1 de julho de 2014

Submissão e carência


Submissão e carência caminham de mãos dadas ?

Quando escolhemos a submissão buscamos o prazer da entrega, e para isso acontecer, precisamos nos libertar das amarras da vida baunilha, de antigos conceitos, preconceitos, de vícios que não cabem nesse novo estilo de vida .
Quando aprendemos a conter ou suavizar sentimentos negativos, encontramos o equilíbrio na nossa vida submissa e também fora dela. E assim nos moldamos, não apenas para estar mais próximas do que o DONO deseja e merece de nós, como também, para evoluirmos como pessoas. Há uma troca entre mulher e escrava, que permite à uma, fazer uso do que houver de melhor na outra e vice-versa, de forma que ambas cresçam.
A entrega nos proporciona momentos de prazeres inimagináveis anteriormente, ela também nos traz amadurecimento, resistência, persistência, paciência... nos traz muito de bom. Mas ,também , pode trazer à tona emoções e sentimentos negativos .
A carência afetiva é um mal que pode surgir e abater a escrava, mas não necessariamente será assim !
Nosso dia a dia é repleto de situações que nos levam à dependência , à instabilidade emocional, que, por sua vez, podem  nos levar a um estado de carência afetiva.
Adoraríamos passar um pouco mais de tempo com ELES, ter um pouco de atenção,  mais carinho, mais compreensão ... enfim, um pouco mais do que é bom e todo mundo quer.
Não fosse a ciência que temos de que a entrega passa, em muito, por renúncias, por longas esperas, por adiamentos de planos, por dores em suas mais diversas formas, seria fácil nos deixarmos abater por sentimentos dos mais negativos e destrutivos.
Mas isso, apenas se não tivéssemos total clareza de que quem decide o que teremos é o DONO, seja a atenção de sempre ou algo especial, é ELE quem decide quanto e quando teremos esse algo. E é mais que natural e esperado que seja assim, afinal, trata-se de uma D/s, onde a troca de poder e a hierarquia prevalecem, ELES mandam e nós, não apenas obedecemos, como também, respeitamos e apreciamos que seja assim .
   
Sabemos que submissão não é uma tábua de salvação para ninguém, muito pelo contrário, para quem já vinha se afogando, ela pode ser a pedra que leva ao fundo do poço.
Carência é algo pessoal e intransferível, cada um deve cuidar da sua. Ninguém tira ninguém da carência, ou a pessoa sai sozinha ou continua la.
Munir-se de todo amor do mundo, achando que vai descarregá-lo em alguém e ser feliz para sempre é uma doce ilusão que termina amargamente.
Muitas vezes, somos nós mesmos quem nos enganamos e não o outro, é o nosso desejo e nossa mente que criam o cenário e nos coloca no centro dele, tornando-o quase real para quem está imerso nele .
Separar a ilusão da realidade, não é uma questão de ser submissa ou não, mas sim, de ser uma pessoa adulta que não pretende viver fora da realidade.
Mas é cada um é que sabe de suas buscas e necessidades. E o BDSM abraça a todos, aqui temos liberdade para ser exatamente quem somos, aqui pode-se acreditar e tentar ser o que quiser.
Continuamos não tendo o direito de fazer com o outro que ele não permitir, mas conosco  podemos tudo, inclusive melhorar como pessoa ou permanecer sem dar um passo adiante!
Quem vem em busca da quebra das correntes baunilhas, encontra essa libertação. Quem vem em busca de vivências, encontra vivências. Quem vem em busca de aventuras, de sexo fácil, encontra também. Mas quem vem em busca de descarregar suas carências, não encontra quem aceite tal carga.
Somos humanas, mulheres com direito a erros, acertos, desejos e tudo que acompanha o universo feminino, incluindo a carência. Porém, quando escolhemos servir, aceitamos tudo que o acompanha, e temos que aprender a lidar com situações bem mais complexas que as habituais.
Com a carências não é diferente, ela nos acompanha na entrega .
Entretanto, aprender a conviver em harmonia com a submissão é um pouco questão de escolha, de objetivo, de vontade, persistência, capacidade e de muito comprometimento com as escolhas feitas.
O que diferencia o nosso antes e o depois é capacidade que desenvolvemos para ressaltar o nosso melhor e suavizar o que não nos favorece.
Somos todos compostos dos mesmos sentimentos que, dependendo da intensidade e constância com que se manifestam, com o modo que são trabalhados dentro de cada um e como são direcionados ao outro, podem se tornar negativos e até destrutivos.
O medo pode proteger, paralisar ou nos expor a um risco desnecessário. A saudade que aguça o desejo do reencontro, pode se tornar a carência que esmaga ou se tornar esquecimento. O ciúme que tempera, pode se tornar veneno ou indiferença. A dor que excita também pode abater ou sequer ser percebida como tal. Tudo depende da medida!
Ninguém está livre de ser pego, em algum momento ou situação, por uma dose maior que a habitual de ciúmes, paixão, medo, insegurança, dúvida ou alguma outra emoção ou sentimento circulando nas veias.
O fato de não nos deixarmos dominar pelo que temos como urgências, e não nos abatermos pelo que não temos, não significa que não desejamos um pouco mais DELES, tudo que é bom sempre desperta o desejo de ter um pouco mais. Até mesmo ELES, com tudo que nos extraem, continuam buscando extrair sempre mais, essa é uma das premissas da D/s. E não é sempre que a escrava caminha na velocidade deseja pelo DONO, mas nem por isso ELE vai simplesmente empurrá-la para acelerar sua caminhada, mas sim  conduzi-la, respeitando seu ritmo. Sendo assim, o que se espera do outro deve ser proporcional ao que ele tem a oferecer, e nada a mais .
  
luah negra_propriedade de DOM JH 

Postado primeiramente em : http://escravasesubmissas.blogspot.com.br/2014/05/submissao-e-carencia-caminham-de-maos.html

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Somos donos de nossos atos , mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo. (Mario Quintana)

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