quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Cuidar e ser cuidada



Se  a casa de um homem é seu castelo, o que dizer, então, da casa de um Dominador?
Ela é o castelo, o templo, é a fortaleza que abriga Seus tesouros. E, sendo um bem precioso, do qual Ele é o Rei, Autoridade Suprema, Dono e Senhor, Ele cuidará para que sua propriedade não venha a ruir.

Esse cuidar vem desde a construção da base, estendendo-se aos reparados dos desgastes causados pelo ação do tempo. A solidez de sua obra depende desses cuidados.

O cuidado se faz sempre necessário, afinal, quem usa, cuida.
Entretanto, vejo muitas expectativas girando em torno dos cuidados do Dom para com sua submissa. Algumas delas, parecendo-me um tanto distorcidas. Uma frase que leio muito; "quero um Dom que me cuide ". E quem não quer alguém que lhe cuide?! Seria essa a missão da escrava, a de ser cuidada e não a de servir ?! Acho que ainda é a de servir, acho!

Ainda assim, cuidar e se cuidar é uma necessidade constante, pois, alguém que não esteja bem física e mentalmente não tem condições de prestar bons serviços.
Mas afinal, o que seria esse cuidar, o que a escrava deve esperar de cuidados?
Esse cuidar é amplo, envolve nuances muito particulares, dessa forma, cada um tem definições específicas de cuidar e ser cuidado, que se enquadrem em suas  necessidades e buscas.

De um modo em geral e dentro do contexto BDSM, o bom senso no uso é cuidar, a orientação de como se portar em determinadas  situações, os ensinamentos, o poupar a escrava em momentos difíceis, o amparo emocional, o prepará-la para situações que exigirão dela mais que o habitual, enfim, não danificar a peça e promover um crescimento mais amplo possível, são cuidados necessários e bem-vindos.

Poderia-se dizer que esses são deveres de quem usa, pois, ainda que sejamos meros objetos de uso e prazer para o Dono, não somos algo que se usa e joga fora inutilizado. Portanto, quem usa, cuida! Dessa forma, torna-se desnecessário falar em deveres,  já que eles encontram-se inseridos no contexto geral do uso, também,  não me cabe fazê-lo.

Isso não quer dizer que escrava não precise de atenção, de carinho, compreensão e até do colinho do Dono, nem que a cadela não precise de um petisco, de um ossinho fora da  refeição ou daquele afago sempre muito bem-vindo. Precisamos, sim.

Quando nos entregamos para o servir, estamos nos entregando, também, aos cuidados Daquele a quem servimos, porém, que não seja o ser cuidada o objetivo maior da entrega. Pois, assim o sendo, perderia-se o sentido da mesma.

Estar sob os cuidados do DONO, não nos exime de tomar os nossos próprios cuidados ou de ter responsabilidades com a nossa integridade física, mental e sentimental. Quem seria o responsável por um coração partido, por uma desilusão senão aquele o entrega e que se ilude?!  
Os cuidados são responsabilidades de quem  os recebe e também de quem os entrega.
ELE me cuida, eu me cuido, N/nós nos cuidamos.

luah negra

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Somos donos de nossos atos , mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo. (Mario Quintana)

Páginas