quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Humilhação: qual é a dose certa?

Humilhação: qual é a dose certa?

A humilhação, assim como a submissão, tem seus prazeres e seus abismos...
Humilhação, um dos principais componentes da Dominação Psicológica, é frequentemente utilizada na D/s, com diferentes propósitos.
A dose, grau, nível ou tipo de humilhação varia de acordo com quem aplica, com quem recebe e com o efeito que se deseja causar. 

A humilhação pode atingir  , das das camadas mais superficiais às mais profundas do psicológico submisso, podendo levar prazer a ambos ou levar à degradação de um pelo prazer do outro. Ela é frequentemente usada para levar o submisso a sentir e agir de acordo com o desejo do Dominante. 

Quando usada para o crescimento da sub, a humilhação ajuda a minar as defesas, as resistências, libertando a sub de pudores e outras limitações... ela é percebida e traduzida em forma de entrega e prazer... ela despe a escrava, desarma, liberta. 
Para isso, é preciso uma observação bastante atenta das reações para que a dose não seja maior que a suportável ou menor que a necessária.

A princípio, costuma-se usar uma humilhação explícita, direta, objetiva... simples xingamentos, ordens ou comandos diretos e imediatos, isso já causa um forte efeito em quem recebe. Assim  as reações ficam facilmente visíveis, fácil para ambos perceberem o que funciona melhor e o que não funciona, o que move e o que paralisa a sub .

É natural que com o tempo seja necessária uma evolução dos métodos para se obter efeitos semelhantes. 

Quando a humilhação é usada para outros propósitos, geralmente ela se dá de forma sutil, velada, quase imperceptível. Assim ela atinge as camadas mais profundas do emocional, podendo causar efeitos devastadores, podendo chegar a reduzir a sub a mero esterco ou a bem menos que isso... podendo levá-la na direção do abismo interior, de volta ao casulo, fechando-se nele pra se proteger de algo que ela nem sabe bem o que é, mas que sente esmagá-la.
A entrega permanece, porém, comprometida pela ausência do viço, do brilho, das cores de uma entrega plena. É a aniquilação de um em prol do prazer do outro.  

Eu, masoquista emocional que sou, faço da humilhação uma parte do meu alimento. Eu disse parte porque ninguém se alimenta apenas de humilhações, e também porque existem humilhações e humilhações, e nem todas elas são alimento, algumas são verdadeiros venenos. 

Uma coisa é a humilhação que durante uma cena, um momento, uma situação... uma coisa é fazer uso dela pelo direito que o Dom tem fazê-lo, pelo prazer que o ato proporciona a quem o faz, a quem recebe ou a ambos... uma coisa é utilizar-se dela para induzir a escrava a ter um determinado comportamento... uma coisa é xingar, mandar calar a boca, lamber o chão... isso é visível, é explícito, claro e objetivo, e se não for possível cumprir a ordem é só pedir dispensa da tarefa, é só usar a palavra de segurança ou se recusar a cumpri-la e pagar o preço depois, isso faz parte da vida submissa. 

Outra coisa bem diferente é ser mantido em estado constante de humilhação velada, sob o uso de subjetividades, de meias palavras, de silêncios, distanciamentos e indiferenças... ouvindo coisas que minam o emocional por minar, que enfraquecem, degradam simplesmente pq o Dom tem direito de usá-la como quiser, até mesmo de forma destrutiva e sem direito a safe .

E ela pode se dar através do que é dito ou feito, mas também , através do que não é feito nem dito...
Não é preciso chamar de inútil ; basta não lhe dar qualquer utilidade. 
Não precisa chamar de desprezível; basta desprezar. 
Não precisa gritar, xingar; basta ignorar a existência da pessoa.
Não é preciso mandar calar a boca; basta não dar ouvidos ao que é dito.
Há muita humilhação velada em tudo isso e o "melhor" é que nada precisa fazer, basta deixar acontecer .  
Da mesma forma que o masoquismo psicológico encontra um prato cheio na humilhação, um Sádico Psicológico encontra um prato cheio nesse masoquismo.
Há quem prefira direcionar a humilhação nesse sentido e há quem faça um uso saudável da mesma . São os dois lados de uma mesma moeda que , ao ser lançada , não se pode  prever exatamente , qual face cairá virada para cima .
Portanto , ha de prevalecer o bom senso de ambos os lados do chicote . Quem usa cuida e quem é usado se cuida também . 

luah negra

Lealdade Canina

Cães representam a amizade, a fidelidade, o amor incondicional, e não é à toa que são considerados os melhores amigos do homem.
Dificilmente um cão ataca ou abandona seu dono, é mais comum ver o animal ser abandonado.  Mesmo em condições pouco favoráveis, como em tempos de escassez de alimento e outras necessidades, ele continua ao lado do dono, sendo o amigo leal e dócil.

Alguns poderiam, se quisessem, escapar facilmente e não mais voltar, afinal há outros que poderiam acolhe-los, dar-lhes teto e alimento, talvez até mais confortável e abundante. Ou  apenas aproveitar a liberdade, vivendo sem regras, sem coleiras, grades ou paredes que os aprisionassem. Ao invés disso, eles ficam por ser ali o lugar em que preferem estar, por sentirem ser aquelas as melhores mãos para lhes cuidar. Eles gostam de estar ali, gostam é daquele dono e é sob os cuidados dele que desejam permanecer.
Mesmo que o teto seja um viaduto ou marquise, mesmo que o alimento não seja o mais farto, é esse que os satisfaz. E simplesmente não desejam escapar.
Coleira, paredes e grades podem aprisionar, porém não criam laços de afeto e lealdade.
Cão na Espera do Dono 300x200 Como os animais enxergam!

Permanecer é escolha e desejo, a lealdade está na força do laço que os une. Se houve a escolha, se há o desejo e, se a ponta racional desse laço não o desfizer, a outra ponta do laço dificilmente fará, salvo em condições extremas.
Caso dependesse da vontade cão, ele seguiria o dono a qualquer lugar, sem tempo bom ou ruim.
Não é a toa, também, que a escrava é comparada a uma cadela. Sua lealdade ao Dono é, de fato, canina.
 Manter-se leal sob condições nada favoráveis é algo que pode parecer um feito heroico para alguns e, para outros, trata-se apenas de instinto natural, pois, a lealdade existe independente de haver razão para tal.  

Assim como alguns podem não apreciar a comparação com um cão, a comparação poderia ser injusta, também com os cães! Pois, sua lealdade é puro instinto. Ele não finge gostar e não faz exigências para permanecer leal e dócil a seu dono. Ele precisa apenas sentir-se abrigado, protegido, desejado e ter prazer de estar a seus pés.

Ambos se escolheram e criaram laços que não desatam facilmente.
Ser tida como a cadela do Dono é orgulho e prazer, sinônimo de lealdade e submissão, de laços firmados e reafirmados a cada dia de entrega.


 luah negra

Somos donos de nossos atos , mas não donos de nossos sentimentos; Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos; Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados, sentimentos são pássaros em vôo. (Mario Quintana)

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